segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Os novos Alienistas


Sabe aquela velha história de que os psicólogos escolhem essa profissão para tratar os seus próprios problemas? A cada dia que passa estou mais propensa a acreditar nessa teoria. Longe de mim generalizar e afirmar que a maioria desses profissionais está fadada a encontrar a cura para si mesmo como o personagem do conto de Machado de Assis. Mas ultimamente sempre que me deparo com uma personalidade um tanto quanto extravagante, e, digamos, fora dos padrões de normalidade, mais cedo ou mais tarde descubro que é um discípulo de Freud. Seja pela maneira como divaga sobre todo e qualquer assunto, seja pela forma peculiar que esses seres têm em parecerem verdadeiros desbravadores da alma humana. Leia-se: donos da verdade. Detentores dos segredos mais recôndidos do universo. 

Eles têm o poder de fazerem com que nós, simples mortais, pareçamos completos idiotas sem o controle da própria vida. Como se nem ao menos nossos pratos preferidos fossem mesmo nossos pratos preferidos.  – Você não sabe na verdade se esse  é seu prato preferido. Isso é o que você pensa ser seu prato preferido. Você ainda tem muito que aprender sobre o tipo de comida que realmente gosta.
Isso me faz pensar se estou me escondendo atrás de um prato de bife com batatas fritas, em uma tentativa de fugir da realidade e ocultar o meu verdadeiro eu que, na verdade, gosta mesmo é de frango com quiabo.
Mas não se preocupe, de qualquer forma, na melhor das hipóteses, um bom psicólogo te ajudará a solucionar esse grande impasse gastronômico em menos de quinze sessões. Talvez vinte. Isso vai depender da sua entrega ao processo. 

Fazem parte também do grupo de profissionais que adoram distribuir amostras grátis. Ou seja, se você encontrar um psicólogo na rua, na fila de um banco ou na balada saiba que ele vai te analisar, mesmo que você não tenha pedido ou pagado por isso. Mas cuidado! Eles prestam serviços de graça para depois arrancarem tudo o que podem de você.

Eles são divididos em várias subespécies. Existem os mudos. São aqueles que não falam nada. Você senta e vomita suas loucuras em cima dele enquanto ele faz pequenas anotações e balança a cabeça afirmativamente. Sempre afirmativamente. Fato que provoca certa confusão. Imagine o paciente transtornado: - acho que vou matar meu chefe!E o terapeuta lá, balançando a cabeça para cima e para baixo como aqueles cachorrinhos de brinquedo. A diferença é que se o cara contasse isso para o cachorrinho não teria que pagar 200 paus.

Existem aqueles que são a própria reencarnação de Sigmund Freud. Mal você senta no sofá já te perguntam como foi a sua infância. Prosseguem perguntando se você tem problemas sexuais. Depois, se você tem problemas com a sua mãe. Por fim, se você tem problemas sexuais com a sua mãe. Fuja desses ou você vai acabar se convencendo de que é pansexual, homofóbico, pedófilo, apaixonado pela própria mãe ou tudo isso ao mesmo tempo. 

Outra subespécie são os carentes. Esses, na realidade, não estão nem um pouco interessados na sua vida. Só fazem perguntas que se encaixam com os dilemas que eles mesmos estão enfrentando no momento. É como aquela vizinha chata que pergunta como vai o seu casamento só para poder desabafar sobre o próprio marido que tem uma amante. Ou te questiona sobre distúrbios alimentares, só para confessar que ela própria acabou de vomitar o mac lanche feliz que comeu no almoço. 

Existe também o terapeuta amigo. É aquele que escuta o que você tem a dizer e depois fornece a própria opinião sobre o assunto. Até aí tudo bem. Tudo bem se a opinião fosse profissional e não irritantemente pessoal. É aquele que mistura suas convicções políticas, religiosas e sentimentais no mesmo balaio. Por isso é chamado de psicólogo amigo. Esse tipo pode ser totalmente substituído por qualquer amigo seu que não fez faculdade e o mais importante, não vai te cobrar 200 paus. 

Os novos alienistas são muito ocupados. Eles dividem o seu tempo entre a aula de natação matinal, os conselhos que dão para aquele irmão problemático com aquela penca de filhos e um cônjuge repressor, as aulas de origami seguidas das sessões de acupuntura para relaxar e em meio a tantos afazeres arrumam um tempinho para se encontrarem com seus pacientes e lhes aplicarem uma dose de loucura semanal.  Enfim, é infinita a variedade desses profissionais e com certeza você já se deparou com algum desses ou até mesmo uma espécie rara ainda não encontrada. Eu poderia passar horas dissertando sobre o assunto, mas infelizmente já estou atrasada para minha sessão de terapia que, é claro, está me custando os olhos da cara!

domingo, 7 de agosto de 2011

Um olhar diferente...


Nascer, crescer, ir embora...

Nesse meio tempo, na condição de humanóides, fazemos rir e chorar...

E como saber o que fazer para merecermos um olhar diferente?

Às vezes não adianta...

Os esforços são inutéis e a mediocridade tão temida, se torna atraente...

Porque às vezes...

Cruelmente, às vezes... 
 
Não é o quê, mas quem...

O objeto do olhar...

E o merecimento é a simples existência...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Seria assim...




Até a semana passada pensava que a sensação de sair da Faculdade fosse incomparavelmente melhor do que a de entrar... Um pouco frustrada, percebo que não. E por um simples motivo... Ao entrar, temos uma rota a seguir... Um mapa a nos guiar em território seguro e firme que estará sempre por lá... Ao sair... O vazio ecoando tudo o que vivi nesses cinco anos. A vontade de “passar dessa pra melhor”, deu espaço para o medo e o frio na barriga, típico de quando nos lançamos ao desconhecido. As incertezas de antes, tornaram-se ainda mais concretas.
Ao olhar pra trás penso na minha vocação para sardinha em lata, quando a muvuca de pessoas me espremia no ônibus verdinho que me transportava para lá... Em como aprendi a lidar com diversidades e a saber que existem várias verdades, mesmo que a minha pareça a melhor. Aprendi que as pessoas mudam... Algumas se encontram... Já outras se perdem no meio da correria e da pressa de chegar a lugar algum... Eu me perdi, me encontrei, me perdi de novo, até desistir de brincar de pique esconde comigo mesma e admitir que hoje sou, amanhã não sou mais... E não tem nada de errado nisso.
Passei a contar o dinheiro pelo número de xerox que se pode pagar com ele... E até pensei em comprar uma máquina dessas e desistir da Faculdade...  Desistir... Uma palavra que sempre rondou meus pensamentos, mas nunca foi forte o bastante para vingar... Sei lá! Simplesmente não consigo... Preciso ir até o fim pra ver como será! Não consigo ficar no “como seria...” Tive contato com otimistas e com entusiastas... Não preciso dizer que aprendi mais com os entusiastas... Otimistas são ingênuos... Acham que tudo vai dar certo... Só não sabem explicar como e por que. E eu... Eu preciso de explicações e de entusiasmo! Passei um semestre inteiro tendo aulas sobre a definição de Comunicação... Será que aprendi?
 Decepcionei-me e me surpreendi com pessoas... Surpreendi-me comigo por várias vezes. Surpreendi-me ao ver quanto fôlego eu tive para sobreviver aos mergulhões e voltar mais forte à superfície... Não fiz do jeito que quis... Mas fiz do jeito que deu... Lendo uma apostila na hora do almoço do trabalho... Saindo mais cedo para pegar o ônibus das 18:15...
Dei conta! No final, constatei que é nos terrenos mais pedregosos que nascem as flores mais fortes. E às vezes, as mais bonitas...

domingo, 31 de julho de 2011

Fricassê de Peito de Peru


Aqui vai a receita muito simples que preparamos no almoço do último sábado: 

Ingredientes:
Uma dúzia de cervejas;
Um punhado de petiscos;
Algumas doses de boa conversa;
E uma porção de amigos queridos... 

Modo de preparar:
Misture tudo a um grande céu azul, acrescente essência de sol quente e uma pitada de brisa suave em um lindo sábado à tarde! 

O resultado é delicioso!!

Devaneios e distrações...


Entre a leveza de um pensamento que se perde por aí... Entre uma palavra louca que salta, displicentemente, da boca... Entre imagens dissolvidas no ar... Entre o teclado e o dedo... Encontra-se o mundo dos devaneios e das distrações... Lá, ninguém se acha... É o lugar das reticências... Do subentendido... Das frases não ditas... Sejam bem vindos! E se percam à vontade...